Um assunto pentelho…

  Vamos falar sobre pêlos. sim, pêlos! Um assunto tão enojado por garotas, que chega a ser tabu. E todos os tabus devem ser desconstruídos, correto? Pois bem, é preciso maturidade e desprendimento para discutir sobre isso. Já que a cultura do nosso país tem implantada na mente que “mulher boa é mulher depilada”, e não é a toa que existe até mesmo a depilação brasileira, que tem cada vez mais gringas adeptas. Não é a toa que somos populares por isso.

  Dentre os motivos para tal imposição, há os piores e mais preconceituosos argumentos. “Depilação é questão de higiene”, “homens não gostam de mulheres peludas”, e o tão usado… “Pêlos são nojentos”. Mas para a salvação das meninas que não se sentem a vontade com os métodos dolorosos e impiedosos em prol de uma pele sem os nossos velhos amigos, para cada tese, há uma antítese muito mais coerente!

  Primordialmente, depilação e higiene não tem quaisquer relações. As más línguas dizem que partes do corpo com pêlos atraem mais chances de infecções e odores, mas uma área depilada e sem a limpeza adequada não é mais higiênica que uma sem depilação, mas limpa corretamente. O acúmulo de sujeira e odores se dá devido às glândulas sebáceas, mas tal efeito pode ser evitado simplesmente com sabonete e água. Biologicamente, eles são nossa proteção natural, assim como nos animais.

  Os pêlos também são o terror de toda garota na cama, já que podem causar o mesmo terror no parceiro. Mas afinal, por que mulheres têm de se depilar e homens não? Já perguntou isso a você mesma? Ou melhor, já perguntou isso ao seu companheiro? É importante ter um relacionamento saudável em todos os sentidos, mas o verdadeiro conceito de um relacionamento saudável é considerar suas próprias vontades e individualidades também. A partir do momento em que determinados métodos de beleza forem insuportáveis para você, e passar por eles da mesma maneira, porque seu companheiro não te aceitaria de outro jeito… Acredite, é preciso pensar no velho ditado “melhor só do que mal acompanhada”.

  O nojo é só mais uma demonstração da pressão que a sociedade faz sob seu pensamento. Pois se enojar com os pêlos de outra pessoa é aceitável… Mas ter nojo dos seus próprios pelos equivale a ter nojo do seu corpo, o que não é nada legal. Afinal, nosso corpo é nossa casa, e com ele devemos estabelecer uma conexão sadia, sem preconceitos. Entender as necessidades do seu corpo é entender a você mesma.

  Bem, por fim, essa não é uma postagem dizendo que não deve se depilar, ou que deve. Essa é uma postagem para que os leitores do blog entendam, respeitem e amem cada parte do seu próprio corpo. Esse não é um pedido para que pare de se depilar, mas é um pedido para acabar com todo o preconceito contra pessoas que simplesmente escolheram conviver com seus pêlos e querem deixá-los lá. Consideramos lindo todo biotipo!

Empodere-se do seu próprio corpo

befree

   “Mantenha-se sempre limpa, vista-se bem… Não mostrando demais, mas também sem se esconder demais. Se depilar é fundamental, e deixe os cabelos lisos… Afinal, cabelo duro não dá, né? Não se entregue na primeira noite, mas também não seja tão difícil, você não vale tudo isso” Esse conjunto de imposições tem feito uma geração de garotas amedrontadas. Consigo mesmas, com o mundo ao seu redor e com o mal que as pessoas podem fazê-las, ou a intensidade com que podem julgá-las se elas não estiverem de acordo com as malditas regras.

  E regras pra quê, enfim? Se na verdade, tudo se trata de quanto as empresas vão lucrar em cima da insegurança de outras pessoas. É preciso fugir daquela cúpula que utilizam para padronizar seu estilo de vida, é preciso desistir das linhas já escritas por outras pessoas para escrever as suas próprias. Garanto, é inseguro, porém confortável e libertador.

  Hoje em dia, vê-se com frequência pessoas querendo mandar em nosso peso, cabelos, medidas e vestuário. E por mais comum que possa parecer, essa ideia é mórbida e assustadora. É perceptível o número de garotas pirando freneticamente por uma simples estria, ou celulite que incomoda. É visível que existem garotas que modificam todo seu modo de vida em busca de acabar com as acnes, e que ao invés de investirem seu dinheiro em coisas que realmente gostam, os gastam tentando ficar mais bonitas.

  É lamentável a ideia de uma juventude prisioneira dos estereótipos, desesperada e alienada pela necessidade de se encaixar em algum lugar que sustente sua autoestima. Portanto, levante-se! Assuma quem você é de verdade e cada detalhe do seu corpo. Seja inteligente o bastante para não acreditar na gama de produtos que tentam de vender com a justificativa de “higiene” ou de que toda garota deve usar determinados produtos, porque não deve. Toda garota deve se sentir bem consigo mesma, deve ser sua própria deusa e se amar da cabeça aos pés. Não seja mais uma vítima!

Virgindade: uma questão que só diz respeito a você

 Ao procurar a palavra “primeira vez” no Google, depara-se com mais de 54.600.000 resultados diferentes. Definitivamente, esse é um assunto com infinitas vertentes. Que quando não causa polêmica, provoca no mínimo curiosidade. Para ser mais exata, mesmo no século XXI e em um país com plena liberdade de expressão conversar abertamente sobre isso ainda é um tabu.

 Tendo um território nacional com cultura miscigenada, temos de nos deparar com famílias ultraconservadoras, e ao mesmo tempo, com pais e filhos que discutem comumente a respeito desse assunto. Porém, na conjuntura hipermoderna em que vivemos, com tantos meios de comunicação, é quase impossível que não se tenha informação sobre o que é o ato sexual. E puramente sobre isso. Pois por mais difícil que seja digerir esse fato, nem todos os jovens tem a devida informação sobre métodos contraceptivos e as consequências de transar sem os mesmos. Infelizmente, a maior parte da massa desinformada vêm de classes mais baixas.

 Talvez, para os mais tradicionais, seja inaceitável ler isso vindo de uma garota tão nova, mas é direito dos jovens ter informação sobre sexo e é dever dos responsáveis explicar sobre isso para eles. Independente de religião ou cultura que pregue certos padrões, é necessário que se dê a informação de algo que pode acarretar consequências que comprometerão a vida toda do indivíduo. Como doenças e uma gravidez.

 É preciso se despir do preconceito e aceitar a ideia de que nem todos tem a mesma informação, nem todos tem acesso às mesmas coisas e nem todos são incentivados a ter relações sexuais com consciência e responsabilidade. Além da ignorância em tentar esconder essa temática, temos que lidar com modelos de famílias patriarcais, que acabam educando meninos e meninas de forma errada. Enquanto os garotões são preparados para “caçar”, as garotas são suas presas indefesas. Essa é uma realidade um pouco ultrapassada hoje em dia, mas ainda há muito o que desconstruir.

 Quanto a escolha, essa cabe exclusivamente ao dono do corpo que decide se entregar ou não. E não a segundos ou terceiros, que tentam impor seus palpites em forma de verdade absoluta. A verdade absoluta deve vir de você, tendo as referências corretas, pode fazer o que quiser com elas.

 Esse é mais que um breve artigo, é um protesto. Por todas as meninas que engravidam por não terem conhecimento sobre sexo seguro e são brutalmente julgadas por uma sociedade machista e mal educada, por toda a orientação que a juventude atual deveria receber e pela repressão que alguns recebem, ao invés disso. Esse é um manifesto a favor de um relacionamento onde pais e filhos sejam verdadeiramente amigos e conversem sobre sexo.

Desabafo de uma cacheada

  Nunca foi tão reflexivo andar de ônibus desde que entrei em transição capilar. O que antes era apenas meu caminho de ida e volta para a escola, quando decidi parar de usar química no cabelo, tornou-se um mar de nostalgias. Via garotas entrando no ônibus até que ele ficasse lotado. Algumas rindo com amigas, outras falando alto até demais… Enquanto algumas permaneciam em silêncio em alguma das extremidades do automóvel. E eu podia contar nos dedos qual delas tinha o cabelo realmente natural. Dentro de uma condução lotada de estudantes, e nem todas elas tinham as madeixas com um aspecto saudável. Via-se garotas com os cabelos firmemente presos, outras, sustentando um liso totalmente morto, que não era delas. Foi então que comecei a me questionar se tudo aquilo valia realmente a pena, se deveria ser esse o preço que se paga para ter o tal “cabelo perfeito”, e qual seria esse padrão de cabelo perfeito, afinal.

  Fato é que cachos nunca foram tão bem aceitos,que a indústria midiática manipula a população impondo o que é bom e o que não é, para sustentar uma pequena camada de poderosos, a fina flor da sociedade. E cabe a nós, o proletariado, aceitar seus padrões sem pestanejar. Por isso que se lucra cada vez mais com produtos de escovas progressivas e equipamentos para mudar os cabelos de forma. Mas por que deveria haver algo certo? Por que simplesmente não aceitar a realidade de que cada indivíduo é bonito do seu jeito, e não cabe a ninguém  estabelecer conceitos de como a beleza deve ser para ele.

  Minha primeira progressiva foi feita quando tinha apenas 11 anos, após um corte de cabelo mal sucedido, e de decidir que eu não queria mais ter um cabelo “armado”, como meus colegas de classe caçoavam. Queria me sentir bonita como as outras garotas, e se fosse preciso sacrificar minhas madeixas loiro-escuras, eu o faria. Após o tratamento, houveram alguns anos de chapinha, escova, e procedimentos químicos repetitivos. Nem sempre sabia lidar com o cheiro forte, ou a oleosidade que o alisamento proporcionava na minha pele… Mas então, sorria e continuava. As pontas duplas sempre apareciam e mesmo com muita chapinha, a raiz ainda podia ser vista. Raiz que eu aprendia  odiar.

  Com 16 anos, comecei a me ver presa por aquele mundo ridículo. Percebi que as empresas de cosméticos nunca se importaram com o meu bem estar, e desde que estivessem faturando às custas de minha baixa autoestima, eles estariam bem. Era assim não só comigo, mas também com milhares de garotas. Então, descobri a transição capilar. Um processo que implica parar de utilizar qualquer processo químico no cabelo e deixar a parte natural crescer. Avisaram-me que eu sofreria, que pensaria em desistir.

  Porém, enfrentei todos os riscos e segui em frente. Durante os meses que passei deixando o cabelo crescer, tive ele com duas texturas, parecendo péssimo. Lidei com piadinhas maldosas de amigas não tão verdadeiras assim, aprendi os conceitos de “fitagem”, “dedoliss”, “texturização”… E também descobri que para tudo há um jeito, até mesmo para deixar o cabelo bonito tendo ele uma parte lisa e outra cacheada. Com 11 meses de transição, fiz o tal “big chop” e cortei toda a química de uma vez só.

  Não vou dizer que é fácil lidar com ele curto, pois nem sempre é. Agora, o preconceito se mostra mais vivo que nunca e mesmo que hidratado e nutrido, para algumas pessoas, meu cabelo nunca deixará de ser “duro”. Mas quer saber? Eu e muita gente experiente sabemos que não é, e não há preço que pague o prazer de carregar algo que é natural e totalmente seu.

  Aprendi também que não é vergonha assumir quando seu cabelo é CRESPO, e não cacheado. Aprendi que a transição é um aprendizado para a vida e não só para o momento em que você está nela. Aprendi que não sou uma mercadoria para agradar aos garotos que “preferem cabelos lisos, loiros e compridos” esse um dia eu quiser voltar ao liso, voltarei. Mas será por vontade minha e não porque alguém me impôs.

  Hoje, eu não sou mais uma daquelas garotas que fogem da chuva, do suor, de aglomerações e de tudo o que é bom, mas molha o cabelo. Vivo de acordo com minha identidade, de menina branca com traços negros e tenho orgulho dela.

  Liberdade aos cachos e às cacheadas!

Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinados
Também querem enrolar…

Mas verdade é que você
(Todo brasileiro tem!)
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo