Frutas que contribuem para a hidratação capilar

  Se há algo que aprendi com a transição capilar, é que não há cabelo duro ou feio, há cabelo mal cuidado. E para cuidar das mechas, não é preciso muito. Vejo garotas gastando todo o salário com produtos cosméticos e embora respeite tal costume, não compartilho do mesmo. Por que tero cabelo bonito e saudável precisa ser caro? Por isso, prefiro investir em processos caseiros, com ingredientes naturais que tem o mesmo efeito que o produto com o preço mais salgado da loja. Aí vão algumas dicas de frutas que fazem super bem para o cabelo!

  • Morango

O morango é rico em vitamina C, e fortalece os fios, causando-lhes firmeza. Além disso, ele pode proteger a raiz capilar da queda. O ácido do morango também pode ser associado a uma lavagem no cabelo, onde a fruta funcionará como um antirresíduo, retirando as partículas poluentes que vão parar nas nossas mechas durante o dia a dia.

  • Laranja

  A laranja contém propriedades adtringentes, e pode melhorar a textura do cabelo. Em uma hidratação, pode diminuir a oleosidade e a caspa, e por ser outra fruta com vitamina C, é um forte aliado para dar brilho ao cabelo.

  • Mamão

  O mamão possui vitamina A, que colabora com a renovação celular e recuperação dos tecidos, por isso, é um forte aliado para o crescimento do cabelo. Ademais, repara as partes danificadas do cabelo e combate o ressecamento.

  • Manga

  A manga é ideal para cabelos secos e danificados, mas faz bem aos mais oleosos também. Ela oferece maciez e repara as cutículas do cabelo.

  • Banana

  A banana é rica em potássio, que dá brilho e definição (alô, cacheadas!). Ela ajuda o cabelo a crescer, e pode restaurar as pontas também. Bem, algumas línguas dizem que essa hidratação é extremamente difícil de tirar depois, mas também alegam que vale a pena ter paciência, pois o resultado compensa.

  Essas são alguma opções para hidratar o cabelo. Lembrando que elas podem ser associadas à alguma máscara de hidratação, e também outros componentes como óleos, vegetais e especiarias, fazendo uma hidronutrição. Basta pesquisar, pois alternativas para deixar o cabelo lindo e saudável não faltam, e não é preciso gastar muito para isso. Lembrando que há a possibilidade de determinada fruta ter o mesmo resultado em todos os cabelos, essas variantes aleatórias existem e não podem ser ignoradas. Mas isso, é questão de encontrar o que seu cabelo gosta, e até lá, ir testando produtos e ingredientes diferentes. Recomendo as tentativas!

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Desabafo de uma cacheada

  Nunca foi tão reflexivo andar de ônibus desde que entrei em transição capilar. O que antes era apenas meu caminho de ida e volta para a escola, quando decidi parar de usar química no cabelo, tornou-se um mar de nostalgias. Via garotas entrando no ônibus até que ele ficasse lotado. Algumas rindo com amigas, outras falando alto até demais… Enquanto algumas permaneciam em silêncio em alguma das extremidades do automóvel. E eu podia contar nos dedos qual delas tinha o cabelo realmente natural. Dentro de uma condução lotada de estudantes, e nem todas elas tinham as madeixas com um aspecto saudável. Via-se garotas com os cabelos firmemente presos, outras, sustentando um liso totalmente morto, que não era delas. Foi então que comecei a me questionar se tudo aquilo valia realmente a pena, se deveria ser esse o preço que se paga para ter o tal “cabelo perfeito”, e qual seria esse padrão de cabelo perfeito, afinal.

  Fato é que cachos nunca foram tão bem aceitos,que a indústria midiática manipula a população impondo o que é bom e o que não é, para sustentar uma pequena camada de poderosos, a fina flor da sociedade. E cabe a nós, o proletariado, aceitar seus padrões sem pestanejar. Por isso que se lucra cada vez mais com produtos de escovas progressivas e equipamentos para mudar os cabelos de forma. Mas por que deveria haver algo certo? Por que simplesmente não aceitar a realidade de que cada indivíduo é bonito do seu jeito, e não cabe a ninguém  estabelecer conceitos de como a beleza deve ser para ele.

  Minha primeira progressiva foi feita quando tinha apenas 11 anos, após um corte de cabelo mal sucedido, e de decidir que eu não queria mais ter um cabelo “armado”, como meus colegas de classe caçoavam. Queria me sentir bonita como as outras garotas, e se fosse preciso sacrificar minhas madeixas loiro-escuras, eu o faria. Após o tratamento, houveram alguns anos de chapinha, escova, e procedimentos químicos repetitivos. Nem sempre sabia lidar com o cheiro forte, ou a oleosidade que o alisamento proporcionava na minha pele… Mas então, sorria e continuava. As pontas duplas sempre apareciam e mesmo com muita chapinha, a raiz ainda podia ser vista. Raiz que eu aprendia  odiar.

  Com 16 anos, comecei a me ver presa por aquele mundo ridículo. Percebi que as empresas de cosméticos nunca se importaram com o meu bem estar, e desde que estivessem faturando às custas de minha baixa autoestima, eles estariam bem. Era assim não só comigo, mas também com milhares de garotas. Então, descobri a transição capilar. Um processo que implica parar de utilizar qualquer processo químico no cabelo e deixar a parte natural crescer. Avisaram-me que eu sofreria, que pensaria em desistir.

  Porém, enfrentei todos os riscos e segui em frente. Durante os meses que passei deixando o cabelo crescer, tive ele com duas texturas, parecendo péssimo. Lidei com piadinhas maldosas de amigas não tão verdadeiras assim, aprendi os conceitos de “fitagem”, “dedoliss”, “texturização”… E também descobri que para tudo há um jeito, até mesmo para deixar o cabelo bonito tendo ele uma parte lisa e outra cacheada. Com 11 meses de transição, fiz o tal “big chop” e cortei toda a química de uma vez só.

  Não vou dizer que é fácil lidar com ele curto, pois nem sempre é. Agora, o preconceito se mostra mais vivo que nunca e mesmo que hidratado e nutrido, para algumas pessoas, meu cabelo nunca deixará de ser “duro”. Mas quer saber? Eu e muita gente experiente sabemos que não é, e não há preço que pague o prazer de carregar algo que é natural e totalmente seu.

  Aprendi também que não é vergonha assumir quando seu cabelo é CRESPO, e não cacheado. Aprendi que a transição é um aprendizado para a vida e não só para o momento em que você está nela. Aprendi que não sou uma mercadoria para agradar aos garotos que “preferem cabelos lisos, loiros e compridos” esse um dia eu quiser voltar ao liso, voltarei. Mas será por vontade minha e não porque alguém me impôs.

  Hoje, eu não sou mais uma daquelas garotas que fogem da chuva, do suor, de aglomerações e de tudo o que é bom, mas molha o cabelo. Vivo de acordo com minha identidade, de menina branca com traços negros e tenho orgulho dela.

  Liberdade aos cachos e às cacheadas!

Meu cabelo enrolado
Todos querem imitar
Eles estão baratinados
Também querem enrolar…

Mas verdade é que você
(Todo brasileiro tem!)
Tem sangue crioulo
Tem cabelo duro
Sarará crioulo